terça-feira, 1 de junho de 2010

29 de Maio





29 de Maio
Hoje custou-me a sair da Beira, porque adorei estar com os meus primos e receberam-me tão bem, que realmente não foi fácil vir embora. Mal saí, parei no primeiro semáforo e um rapaz que estava na esquina a vender jornais, apontou para o jornal e disse que me tinha visto na reportagem, levantando o punho em sinal de porreiro. Desejou-me boa viagem e segui a pensar que tinha valido a pena, a entrevista, só pela simpatia daquele rapaz.
Até Inchope, que são 140 kms, o piso está mau, obrigando a cuidados redobrados, mas quando virei para Maputo, a estrada passou a estar perfeita. Quando me apareceu a placa de 864kms para Maputo, até me apeteceu fazer seguido até lá, mas ainda é cedo e tenho tempo para desfrutar de algumas paisagens e praias até lá.
A Ponte do Save tem portagem, mas as motos não pagam, o que vem acontecendo quase desde que sai de Penafiel.
Cheguei a Inhassoro e dei de caras com uma data de Cangas, animal preferido da minha prima Maria e não hesitei em lhes tirar uma foto, assim como da praia.

A AJP já está com mais de 16.000 kms e fora as mudanças de filtro e óleo, só ontem mudei a transmissão, apenas por precaução. Nem uma avaria, nem um furo, nem consumos de óleo. Continua a consumir 3,4 litros de média de gasolina e não noto sequer falta de rendimento, antes pelo contrário, cada vez está mais solta, fazendo a velocidade de cruzeiro por mim estabelecida, com muito poucas rotações.
Sem dúvida uma ajuda extraordinária nesta aventura.
Beira – Inhassoro total 499 kms

sexta-feira, 28 de maio de 2010

28 de Maio



28 de Maio
Mais umas voltas pela cidade da Beira onde fui tirando mais umas fotos. Hoje ao fim do dia, entrevistaram-me para o Diário de Moçambique mas a parte agradável foi mesmo ter feito a entrevista em casa dos meus primos.
Amanha, já com as forças no lugar, lá vou “botar pra estrada” até á praia de Inhassoro, sim que agora estou de férias ahah.

quinta-feira, 27 de maio de 2010



27 de Maio
Aproveitei para usar o dia para passear com a minha prima Maria que gentilmente me mostrou a cidade da Beira. É mesmo uma pena ver casas de estilo colonial inglês em completa degradação, o grande hotel…nem vale a pena falar, as imagens dizem tudo. Só cá estive uma vez na Beira, devia ter uns 13 anos, numa visita de estudo á Gorongosa e pernoitei no colégio dos Maristas da Beira, onde me lembro de ter tirado uma foto de grupo com o colégio de fundo. Pois hoje ao percorrer as ruas da Beira, vi de repente o antigo colégio, que hoje é a Universidade Católica de Moçambique. Como é possível, passados estes anos todos, ter reconhecido um edifício que só tinha visto uma vez…
Passamos também no centro e foi muito emocionante ver como as pessoas que estão a vender fruta e legumes, tratam com tanto carinho a minha prima, chamando-lhe “tia Maria”.

26 de Maio





26 de Maio
Sai de Tete pelas 8h00, e meti-me á estrada a uma velocidade estonteante, 80 kms/hora. Parece pouco, mas para quem quer apreciar a paisagem e não descurar a segurança, é mesmo a velocidade ideal para viajar. Vou observando todos os cantinhos por onde passo e sempre que vejo alguma coisa diferente, click…mais uma foto.
Parei no Chimoio para abastecer e perguntei ao homem da bomba por um restaurante e o que me indicou obrigou-me a dar meia volta e andar cerca de um quilómetro para trás….uiiii que andar para trás não está com nada ahah.
Mas valeu mesmo a pena, chama-se a Palhota e até que é bem conhecido. Comi de aperitivo umas moelas e depois…feijoada. Um gelado de sobremesa, que já não comia á muito, umas fotos e “bota pra estrada”.
Os últimos 120 kms, foram complicados, pois o movimento de camiões é intenso e para complicar, a estrada tem demasiados buracos e nunca sei se o camionista me viu, quando se desvia de um buraco, na minha direcção, até claro, apontar aquela frente enorme para o outro lado. Dá para apanhar uns sustos, pelo caminho…
Agora finalmente cheguei á Beira, cidade que já tinha visitado quando era miúdo, numa visita de estudo que fiz no colégio dos Maristas, á serra da Gorongosa.
É muito bom, ao fim de tantos anos, encontrar-me entre familiares e levando á letra, toca a engordar ahah.
Tete – Beira total 615 kms

quarta-feira, 26 de maio de 2010

25 de Maio


25 de Maio
A estrada para Cahora Bassa, passa mesmo em frente á Galp Tangerina da D. Fernanda e aproveitei para a cumprimentar, tendo um amigo oferecido o pequeno almoço.
Tinham-me dito que ida e volta eram 250 kms, mas no final acabaram por ser os 312 kms mais lindos desde que estou em África. Além de bom piso, a estrada serpenteia nos montes verdes onde de vez em quando aparecem umas aldeias típicas de África, onde as pessoas simpáticas me vão cumprimentando á minha passagem. Quase a 20 kms da barragem, aparece uma bifurcação, onde optei por ir pela esquerda e voltar pela direita, pois esta última sobe bastante e de certeza que ao descer daria boas fotos, como se veio a concretizar.
A poucos quilómetros da bifurcação, existe um desvio em terra para o Ugezi Tiger Lodge, um local de acolhimento encantador, junto á água da barragem, onde comi um hamburger tendo por cenário, uns encantadores macacos a saltitar de arvore em arvore. Bem o preço da diária são uns módicos 1500 Meticais mas que o local convida, lá isso convida.
Comecei então a subir para o alto da serra onde comecei a avistar a barragem. Tinha ideia de uma barragem gigantesca, mas nem metade da de Crestuma é. Bem na altura em que foi feita, realmente foi uma grande obra. Só que tirar uma foto em cima da barragem é mesmo para esquecer, além de estar toda vedada com arame farpado, tem segurança por toda a parte e autorização quase impossível. Pena não ter grande tempo, senão dizia-lhes o impossível…
Algumas fotos depois, lá empreendi a viagem de regresso, desta vez pelo lado contrário, onde subi numa encosta muito íngreme até chegar a Songo que deveria ter sido os estaleiros para a construção da barragem, e onde se vê montes de máquinas que devem ser do tempo colonial.
Continuei a viagem de regresso, devagar, a saborear a estrada limpíssima e arranjada, com as bermas de capim cortadas a catana, continuando a apreciar as pequenas aldeias e as suas gentes.
Cheguei a Tete ainda bem de dia e deparei á entrada com uma fila de camiões de cerca de 2 kms, pois na ponte em reparação, só passa um de cada vez e para cada lado. Imaginem a confusão…






terça-feira, 25 de maio de 2010

24 de Maio

24 de Maio
Passei a noite a acordar para encher o colchão, pois este com tanto buraco até aqui, acabou por desgastar, fazendo um furo muito lento.
Mas acordei com uma vontade de vomitar e foi nessas condições que me meti á estrada, tornando os 470 kms que fiz, um bocado penoso.
Em Catete, ao meter gasolina, deparei com um monte envolto em nuvens, como nunca tinha visto.
Apanhei perto da fronteira chuva miudinha mas quando parei no posto de controlo policial da Zambia, como que por magia, parou a chuva e passou-me a vontade de vomitar. Teria sido por avistar Moçambique?
Bem…passando a fronteira senti-me em casa e na África que tanto gosto, mas realmente como só conhecia até á Beira, ainda bem que vim por este lado, pois é mesmo fascinante. Montes e mais montes como eu realmente gosto e já estou tanto tempo fora de casa que já vejo “mamas” por todo o lado.
Cheguei finalmente a Tete,
onde a ponte se encontrava em obras e fui surpreendido por um telefonema do Dr. Macedo Pinto, para me dirigir ao posto da Galp Tangerina onde me aguardava a D. Fernanda,

que gentilmente me abasteceu a moto além de me oferecer óleo sintético e spray multiusos, que já não via desde a entrada na Namíbia, o que me preocupava imenso, porque a corrente estava mesmo seca.
Também graças ao Dr. Macedo Pinto, fiquei a dormir em casa do Sr. Isaias Marrão, o que desde já agradeço.

23 de maio

23 de Maio
Hoje o meu netinho Martim faz seis meses e passei o dia a pensar como o tempo passa. Saí de Lusaca sem uma foto da cidade pois cidades como estas não me dizem nada, com prédios a destoarem o que não fica nada bonito. A estrada não está má de todo e os buracos estão quase todos assinalados. Tinham-me dito que podia ir pela fronteira da Vila do Zumbo para entrar em Moçambique, que a estrada estava boa. Só que quando cheguei a Luangwa, apanhei com 90 kms de terra com um tremidinho de fazer cá uma dor de cabeça que nem vos conto. O pior é que quando cheguei ao fim, não havia alfândega e como preciso do carimbo de saída no carnet de douane, toca a voltar para trás mais 90 kms.
Pelo menos esta picada, vai sempre junto ao rio Zambeze o que torna mais aliciante. Como pensava que ía fazer 370kms, acabei por fazer 615 kms, pois estava cheio de saudades de andar de moto.
Quase ao anoitecer, 16h30, passei por um camping e resolvi lá pernoitar, mas antes,
acendi o fogão MSR da Balgarpir que trabalha com gasolina e lá fiz mais uma massa, para variar.
Pelo menos já estou mais perto de Moçambique.