sexta-feira, 14 de maio de 2010

13 e 14 maio


13 e 14 Maio
Dias tirados para fazer turismo em Luanda, fazer um reaperto á AJP e lembrar-me dos amigos que deixei á um mês e nove dias quando saí da Câmara Municipal de Penafiel.
Hoje fizeram-me uma surpresa, organizaram um jantar onde apareceram amigos como o “Foguete” que já não via ás uns tempos.
O Adriano aproveitou para me oferecer uma t’shirt do Moto Clube do Porto assinada pelos presentes. Foi fantástico ter conhecido os “Amigos da Picada”, incansáveis na arte de bem receber. Hoje quero agradecer ao meu amigo José Vasconcelos por me ter recebido e proporcionado uns dias de descanso num sítio muito acolhedor, ao Tita que nem tenho palavras para descrever e a todos os amigos que me receberam em Luanda.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

12 maio


12 maio
Dormi na fronteira, dormi???hummm não me parece que tenha dormido, pois resolvi deitar-me junto da moto para não haver tentações de roubo e claro nem abri a tenda nem enchi o colchão. Quando me levantei doía-me o esqueleto todo. Pequeno almoço…ok uma coca cola e um pão sem nada mesmo. A fronteira abriu ás 7h30 e eram 09h30 quando entrei na de Angola para de lá sair ás 10h30.
Até M’Banza Congo foram 68 quilómetros de terra batida que se não tivesse chovido era em grande. Só que… já tinha chovido e estava cacimbo. Resultado escorregava que se fartava e de vez em quando uns lamaçais daqueles. Nada fácil mas pensando no dia inteiro até que foi chicha. A seguir veio uma estrada em construção pelos chineses, estradas daquelas que ainda não estão prontas e já a parte inicial está cheia de buracos. Mas nada mau porque quando cheguei ao mar, a N’zeto começou o drama da areia solta mas que mesmo com o excesso de peso, ganhando-lhe o jeito é sempre a fundo com alguns sustos pelo meio. Como que de repente a areia acabou e deu lugar a terra dura com buracos para começarem a aparecer bocados de alcatrão todo lixado. Lixado??? Bem para dizer a verdade não me lembro de passar os 30 kms hora e raramente. É que os buracos vão de uma ponta á outra da estrada e pelo meio ainda se vê montes de poças de óleo e gasóleo dos camiões e carros que batem nos buracos. Feitas as contas fiz 520 kms dos quais 460 bem duros e ainda por cima só com uma coca cola e um pão. Os americanos que conheci em Braza mandaram-me uma mensagem que me deixou mesmo satisfeito pela dureza que passei: “That is amazing u made it here in 1 day”

11 maio

11 maio
Kinshasa…Kinshasa pira-te que aqui é só confusão e de jeito só tem a boulevard e mesmo assim com grande confusão. Como saí já um bocado tarde resolvi ir dormir á fronteira de Lufu.
A estrada muito engraçada, com vistas magníficas com uma temperatura alta mas não exagerada, curvas com alcatrão muito bom e claro de repente uma chuva que tão bem me soube. Ao cair da noite, enchi os depósitos com gasolina á garrafa e fiz os 11 kms que me faltavam para a fronteira em terra batida.
Quando cheguei a Lufu a fronteira já estava fechada. Muita gente e claro muita confusão e resolvi não abrir a tenda e dormir ao relento. Também não enchi o colchão para erro meu pois o chão duro não só não me deixou dormir como me partiu todo, já para não falar nos mosquitos, que esses nem com repelente me largaram. Ás 5h da manhã começaram a tocar tambores e a cantar o que veio ajudar á festa eheh.

10 maio

10 de Maio
7h45 já estava diante da DHL do aeroporto de Brazaville, na esperança (sempre boa esperança) de conseguir levantar a AJP e apanhar o primeiro barco para Kinshasa. Só que eram 8h00 e o polícia da alfândega disse com um sorriso que tinha que primeiro ir ao render da guarda, que imaginem demorou meia hora com “sentido”, “á vontade”, “sentido”, etc. Depois foi hastear a bandeira e abriu a porta já eram 8h45. Montes de embrulhos que estavam á frente da minha AJP, fizeram com que esperasse mais meia hora até começar a montar a bichinha. Nem meia hora demorei para meter as peças que tinha retirado e meter a gasolina que tinha acabado de comprar, só que quando ligo a chave…nada. Já vos disse que o que menos curto numa moto é a parte eléctrica??? Bem só consegui corrente já eram 11h00, imaginem. Tinha sido em Cotonou ao embalar, dobraram o guiador para trás e cortaram-me dois fios num sítio bem difícil de ver.
Gás para o porto de Brazaville e confusão…nem imaginam, se me contassem não acreditava. Sempre a pagar, por tudo e por nada e não adianta falar com os polícias, pois esses têm comissão. Já perto das 15h00, lá vou embarcar, só que tinha que descer uma rampa que no final tinha três degraus inclinados. Para mim, que faço trial á tantos anos, nada, mas mesmo nada de difícil, só que quando lá cheguei, apareceram montes de pessoas (mitras eheh) a quererem descer a moto. Aos berros a dizer que não queria, mas não adiantou de nada o que originou que tivesse de sair de cima da AJP pois estavam a desiquilibrar-me. Nem dez segundos foram precisos para descer a escada e rapidamente me encontrei dentro do barco. Meia hora á espera que arrancasse e quando já estava mesmo a arrancar, um policia chama-me e mostra-me o “spot”. Dirijo-me a ele a correr só que o barco já estava a metro e meio de distância e "berro": dá-me isso o que o policia retribuiu com: donne moi d’argent… Como o spot é da Espaços Sonoros, nem hesitei, abri a carteira e peguei numa nota de 10.000 CFA (cerca de 15 euros) e disse-lhe atira…mas ele obrigou-me a dar o dinheiro a um que estava ao meu lado e só depois me atirou o spot. Resultado, quando me agarraram para descer a moto eram tantos que um aproveitou logo para gamar. O polícia deve ter visto, apanhou o ladrão e claro veio ganhar o dia. Depois, dentro do barco, começaram á porrada entre eles o que me fez ver que o barco estava apinhado de gatunos. Quando o barco atracou, trinta e cinco minutos depois, foi semelhante confusão, pois entram aos saltos montes de pessoas para retirarem a carga que o barco trás, para ganharem dinheiro. Só que no meio deles, vêm mais gatunos e temos que estar mesmo alerta.
A partir daqui, vem o sofrimento das fronteiras, mínimo duas horas a correr bem. Primeiro entrei numa sala e esperei que o polícia acabasse de teclar no telemóvel, o que foi no mínimo meia hora. Depois fez tantas mas tantas perguntas estúpidas, tipo que dinheiro trazia, qual o cartão visa e o plafond, aí resolvi dar-lhe baile e disse-lhe que não sabia o plafond. “Então como fazes”…fácil, telefono aos meus pais, depositam-me e eu levanto dahhhh…depois queria que lhe dissesse porque é que os portugueses deram a independência a Angola: pergunta aos políticos, não a mim.”Mas tu és português”eheh, pois mas era muito pequeno nessa altura disse eu já a dar-lhe tanga.
A seguir vem a parte da alfândega, super demorado como costume, mas o pior ainda estava para vir, é que em Kinshasa, não se paga nada aos polícias, nem na alfândega, mas quando estava quase a “botar pra estrada”, vem a brigada da…imaginem…desinfecção. Esta é mesmo para rir, todos badalhocos, lixo por todo o lado e paguei vinte dólares para me desinfectarem a moto ahahahah, nunca tal visto.
Saí de lá quase noite, imaginem um dia para passar de um lado para outro um rio com sete kilómetros de largura. Nada mais a fazer senão procurar um hotel, mas hotéis em Kinshasa, não abundam e lá foram 172 dólares americanos só para uma noite. Só para o jantar (não comi nada o dia todo) foram o molho de notas que podem ver na foto.

domingo, 9 de maio de 2010

09 maio

09 de Maio
Domingo, quase tudo está fechado mas consegui uma padaria onde comi um pão com manteiga e doce de morango mas cai na asneira de pedir um sumo de laranja que era tão ácido…
Resolvi passear um pouco e acabei por andar uma data de quilómetros, mas como o sol não estava muito forte, tinha que aproveitar.


A Câmara de Brazaville não escapou á foto mas o que me soube bem foi o passeio junto ao rio a ver os pescadores.

As arvores carregadas de papaias, mas ainda verdes, montes de bananeiras e árvores seculares

As tampas de saneamento de cimento desapareceram se calhar na altura da independência e continuo a ter pena dos cegos nestas terras.

Para finalizar, uma foto de um cãozinho, desculpem mas não resisto a um olhar tão terno.

Agora vamos lá a ver se vai ser mesmo amanhã o recomeço da viagem

sábado, 8 de maio de 2010

08 de maio

08 de Maio
Acordei já sem chuva e apesar de não estar assim muito calor, á medida que o sol foi subindo, o calor começou a apertar, para ao fim do dia tornar a chover. Aproveitei o dia para dar uma volta a pé até ao porto onde vou apanhar o ferry para Kinshasa. Tão perto e tão longe….isto é, está a dois dias eheh. Junto ao rio, dei de caras com um vendedor de cães e não resisti, eram tão lindos…

Aqui quando chove as ruas ficam inundadas e os carros viram jeeps para contornar a água.
Quase todos os restaurantes que vi eram chineses, não é que morra de amores pela comida, mas as brochettes até que estavam bem deliciosas.
Os passeios de vez em quando têm algumas armadilhas e só penso como os cegos conseguem escapar a buracos tão grandes




Quando cheguei ao hotel tive uma agradável surpresa, estavam lá dois americanos que tinham saído de Madrid a 8 Fevereiro e tencionam ir também até Àfrica do Sul, em duas BMW 650. O Bash e o Justus. Este último tirou a carta em Novembro passado e é a primeira moto que tem. Diz ele que ficaram duas semanas em Marrocos a treinar a condução na areia. Ainda dizem que eu sou maluco…

Estão é com pressa e como não querem esperar para segunda feira, não vou com eles. Mas se não se põem a toques, apanho-os no caminho, apesar de irem pela Namíbia. Jantamos juntos e fartamo-nos de falar. Viajar tem destas coisas boas

sexta-feira, 7 de maio de 2010

07 maio


07 de Maio
Acabei por meter a bateria da AJP no saco mas quando a despachei no aeroporto, acabei por ser chamado para mostrar o que estava dentro do saco. Depois de dar a volta á bateria montes de vezes para lhes mostrar que não caía ácido, lá me deixaram levá-la. Na passagem da alfândega, o polícia pediu-me de lata dinheiro, mas em voz baixa e aproveitei para dizer bem alto que não ouvi o que ele disse. Mesmo assim tornou a repetir e tirei-lhe o meu cartão de embarque mais o passaporte e disse que já não tinha dinheiro.
Entrada no avião a horas e incrível, levantou voo também a horas. Começou o martírio, primeiro porque cada vez tenho mais medo de andar lá em cima e depois, pelo cheiro...catinga a pacotes, misturado com um spray que as hospedeiras usam de meia em meia hora. O céu estava cheio de nuvens e não me lembro de ter andado num avião com tanta turbulência e sempre a abanar as asas tipo um pássaro num dia de vento. Nem quando as rodas tocaram no chão, me senti melhor, pois a dor de cabeça já era elevada.
O aeroporto de Brazaville até que é bem moderno, pelo menos por fora, mas a porta de desembarque fez-me entrar quase num filme de terror: uma sala pequena onde estão muitas pessoas a tentar sugar-nos dinheiro. Já com o carimbo no visto e com o saco, pensava que me ia embora, só que a porta estava com um cadeado. Só meia hora depois, consegui sair lá de dentro, deslocando-me para uma mulher policia da alfândega, que me pediu um sumo que estava com sede. Ou lhe dava ou abria o saco. Como nunca vou em chantagens, resolvi abrir o saco e dizer-lhe que também me apetecia um sumo. Resultou porque já não quis ver o saco. Saí a pensar que ia levantar a AJP e “botar pra estrada”, só que como estou cheio de sorte, a alfândega fechava ás 14h e já eram 15h30. Resultado? Esperar em Brazaville por segunda feira. Com que então domingo estou em Luanda??? É bem feita, ainda não aprendi que em África não se pode fazer planos.