sexta-feira, 21 de maio de 2010

21 de Maio
Dormi em Livingstone, cidade pacata a 9 kms de Victória Falls e optei por dormir aqui, porque é bastante mais barato.


De manha, pequeno almoço tomado e directo a… exacto, ás cataratas, onde encontrei montes de macacos babuínos, a passearem pelo meio dos turistas e a subirem para os camiões que se encontram parados para entrarem no Zimbabwe, á procura de algo para comerem.
Logo que se entra no recinto, respira-se turismo o que até benéfico pois encontra-se tudo limpo e arrumado, com óptimos locais para passar o dia.
Não falta a estátua do primeiro europeu a ver as cataratas de Victória Falls, o Dr. David Livingstone.
Finalmente, depois de tantos dias, a tão desejada foto da praxe em frente ás cataratas (parece impossível).
Agora é começar a pensar na próxima, junto de Cahora Bassa.
A partir de aqui, tal como tinha planeado, vou começar a fazer menos quilómetros por dia e tirar mais fotos ao meu segundo país, Moçambique.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

20 de maio




20 de Maio
Sai de Rundo ás 8h00 mas com pena de não ficar lá mais um dia pois nota-se a influência dos ingleses nesta cidade, bem ao meu agrado. Também tinha ficado num Lodge bem acolhedor, onde restabeleci as forças e a fome eheh.
Não foi um dia fácil, primeiro porque foram muitos quilómetros a subir e depois porque com a altitude veio o frio, obrigando-me a vestir o forro do casaco da Drenaline. Estradas com rectas a perder de vista a lembrar um pouco a Mauritânia o que me obriga a mais concentração para não adormecer. Já vou com mês e meio desde que saí de Penafiel, já me devia ter habituado a estar longe da família e dos amigos, mas não á meio…que saudades.
Tanto na Namíbia como na Zambia, tenho que gerir bem a gasolina porque entre cidades são mesmo muitos quilómetros, chegando aos 200 entre algumas delas. Consegui chegar cedo á fronteira com a Zambia, mas como de costume, aguentei por lá hora e meia. Passei finalmente o rio Zambeze e rumei a Livingstone, onde cheguei já de noite e instalei-me num Lodge com internet, finalmente.
Rundo Namíbia – Livigstone Zambia total 735 kms

19 de Maio



19 de Maio
Despedi-me de Angola e todos os amigos que por lá ganhei especialmente o mano General Atum Tita grande companheiro e aventureiro que “quase” toda a gente conhece. Deixei para trás o oceano atlântico e embrenhei-me na Namíbia, país lindíssimo e bastante desenvolvido, onde predomina o verde. Num Wimpy em Tsumeb, onde fui comer um hambúrguer, um homem disse-me que tinha passado por mim e que não parecia ir nada confortável e quando lhe disse de onde vinha e para onde ia, disse-me “drive always left and you dont have problems…”, só que se esqueceu de me dizer dos animais que passam a estrada, que é vedada de ambos os lados, mas vi um macaco enorme junto á berma, quatro gazelas e á noite quando vinha um carro de frente, ao passar, dou de caras com quatro burros na minha faixa de rodagem, que por estas bandas, é a esquerda. Travagem a fundo in extremis, ficando a pouco mais de um metro dos burros, que não se afastam por nada, tendo eu que os contornar. Hoje já apanhei bastante frio, especialmente nas duas horas que fiz de noite.
Ondjiva Angola – Rundo Namíbia total 690 kms

18 de Maio



18 de Maio
Estava na ideia que o sul de Angola era mais desértico mas estava mesmo enganado pois predomina o verde e não faltam pequenos lagos, ribeiras e rios onde se vê a pequenada a tomar banho.
A estrada também tem alguns troços em bom estado, mas do Lubango até Ondjiva, capital do Cunene, apanhei cerca de duzentos quilómetros de buracos, terra batida e areia, não faltando os camiões a levantarem uma grande poeirada.
Como já estou perto da Namíbia e nesse país guia-se pela esquerda, já apanhei um susto quando me apareceu uma pickup pela frente, fora de mão.
Nesta estrada, ainda se vê vestígios da guerra, como o Tanque já bem degradado, que vai sendo desmontado para sucata.
Lubango – Ondjiva total 430 kms

segunda-feira, 17 de maio de 2010

17 de Maio

17 de Maio
Acabei por não sair tão cedo como isso, mas também eram só 370 kms dos quais 60 em muito mau estado. Á medida que se vai descendo, a temperatura também desce o que se torna muito mais agradável.
Já estava para tirar uma foto de um Embondeiro á bastante tempo e apesar de já ter visto uns bem maiores, aqui fica a foto para perceberem que pareço estar no país do Gulliver.

Passei por um sítio que se chama o Sítio do Jacaré, local muito devastado pela guerra, mas onde um pobre coitado de um Jacaré conseguiu sobreviver cinquenta anos. Paguei 100 Kuanzas para ajuda da alimentação, pois o menino come 4 kgs de carne com ossos por dia. Quando saí de lá, apareceram mais dez pessoas para o verem.

No caminho, lá descobri também uns putos com umas trotinetes feitas por eles bem curtidas.

Viajar por África á quase mês e meio, vai-me engrandecendo, como o que se passou hoje quando parei para comer umas tripas eheh. Conheci um simpático que delirou com a AJP, ele que tem uma Vstrom 650 só que quando soube que a AJP era uma 200 cm3 disse-me a rir-se; “assim é que eu gosto mesmo…não sou rico, não sou pobre mas vou chegar”

16 maio

16 de Maio
Benguela tem grandes tradições de desporto motorizado, mas com a guerra, ficaram muitos anos sem realizar. Tive mesmo sorte, porque acabei de assistir á primeira corrida depois de tantos anos.
É um circuito citadino, com passadeiras, passeios e quase sem escapatórias. Para abrir as hostilidades, a primeira corrida foi a das cinquentinhas,
todas elas Yamaha DT50LC das antigas, ainda de travão de tambor á frente. Equipamentos só mesmo o capacete e sem viseira ou qualquer tipo de óculos. Luvas ou botas idem aspas mas que elas andam, andam.

A seguir vem as 600 sim, eu disse as 600 num circuito citadino. Malucos mesmo, com as motos sempre a derraparem, tal a quantidade de pó que o asfalto tem. Tinha olhado para as motos e para os pilotos antes, tirei-lhes “a pinta” e resolvi tirar uma foto com o Vuty e não é que ele ganhou limpinho e com grande avanço.
Para finalizar, veio os 200 kms de Benguela de carros, com todas as classes juntas mas com classificações á parte. Aqui venceu um miúdo de 18 anos num Radical com motor Hayabusa 1300.
Muita falta de segurança, com pessoas a verem a corrida nas partes de fora das curvas, um cão que resolveu invadir a pista e com a confusão, perdeu o norte e demorou a sair de dentro da pista, sem antes ter ganho o dia quando três carros quase a par passaram a fundo pelo desgraçado.

Para finalizar, conheci o David Rebelo, importador AJP para Angola e que tinha acabado de ser operado á mão, pois corre de Honda CBR 600, mas na última corrida experimentou o tapete do autódromo de Luanda. Isto de viajar tem partes muito boas e hoje quando acabou as corridas e fui buscar a moto tinha um bilhete do “Paulo do Marcoi de Canaveses” com o número de telemóvel para se precisasse de alguma coisa. Vai daqui um agradecimento e um abraço para este Tuga.
Amanha, vou dormir a Lubango mas vou tentar sair cedo que já me falaram que vou apanhar cinquenta quilómetros mesmo maus.

sábado, 15 de maio de 2010

15 de maio




15 de Maio
África tem coisas mesmo giras…se algum veículo avaria na estrada, metem um “triangulo”, que não tem nada a ver com o nosso, chamam-lhe assim, mas na verdade é simplesmente uma pedra grande juntamente com uns ramos, quase no meio da estrada. Até aqui, apesar de arcaico, tudo bem, mas o pior é que quando o veículo está arranjado, ala que se faz tarde e nem retiram o dito triangulo. De vez em quando aparecem postos de polícias e sabemos logo porque metem no meio fio da estrada uma pedra enorme a segurar um ramo.
Outra coisa interessante, é a capacidade de desenrascar que por aqui existe, como hoje que vi um camião no meio da estrada com o diferencial de fora e a desmontarem-no. Ferramentas? Bem nem vos digo mas que se safam, safam. Não trazem aparelho de soldar, mas conseguem soldar peças partidas com a bateria do camião que é de 24 volts. Ligam o negativo á peça, o positivo a um alicate que por sua vez segura um eléctrodo e toca a soldar. Incrível, não é?
Amanhã vou ver os 200 kms de Benguela e segunda feira “bota pra estrada”
Luanda – Benguela total 580 kms