quarta-feira, 2 de junho de 2010

01 de Junho

01 de Junho
Finalmente entrei no mês de Junho e estou na recta final, apesar de ainda me faltarem perto de 1.500 kms até finalizar a aventura e despachar-me a mim e á AJP para Portugal. Tirei mais um dia, para passar na praia do Bilene, onde sinto uma enorme nostalgia, apesar de algumas diferenças, ainda se vêm casas da época em que aqui passei várias férias e onde me lembro de ver as primeiras “bifas” descascadas da cintura para cima. Era um consolo para um puto, andar de barco com o meu amigo Jorge Mascarenhas (um abraço para ele que está em Lisboa) a passear á frente do Parque Flores, que era mesmo um habitat das bifas eheh. Para quem não esteve nestas bandas, uma bifa era ou é uma sul africana de preferência loira e com uma mini saia daquelas…
Pena mesmo o tempo que não ajudou, pois choveu mesmo quase todo o dia.





terça-feira, 1 de junho de 2010

31 de Maio

31 de Maio
Depois de um final de dia tão bem passado em Inhambane e em Maxixe, acabei por ter uma noite de pouco sono, pois o colchão está mesmo com um furo lento e passei o tempo todo a acordar e a enchê-lo.
Já me tinham dito que a estrada até ao Xai Xai, não estava nas melhores condições, mas como até já tinha saudades do mau piso, acabei por encarar com boa disposição os buracos. Só que começou a chover e bem, e a terra virou “matope”, para minha delícia, pois começaram os derrapanços, ao fugir da faixa de rodagem, para deixar passar as pick up’s e os jeeps que passam com uma pastilha daquelas.


Cheguei ao Xai Xai sem nenhuma queda, para espanto meu, e resolvi recordar a praia, fazendo o desvio de vinte quilómetros até lá. Realmente a praia é muito linda, com as rochas que tão bem me lembrava e com alguns edifícios já completamente degradados. Lembro-me que havia uma rede junto ás rochas para os tubarões não entrarem na baía, mas de vez em quando lá havia um que entrava e alguém era mordido. Do Xai Xai fui directo a Macia, já com boa estrada e sem chuva, onde aproveitei para comprar umas castanhas de caju e meter gasolina.
De Macia ao Bilene, são 30 kms em muito bom estado, mas lembro-me de fazer este trajecto no Fiat 850 da minha mãe e era sempre em terra ou matope quando chovia.
Cheguei ao Bilene e reparei que por estas bandas a evolução ainda foi grande, pois á vinte anos atrás, nem tinha onde comer. Agora é só casas novas e montes de sítios para dormir. Fiquei no Complexo das Palmeiras, já perto do Parque Flores, num bungalow mesmo junto á praia.
Só mesmo pena o tempo não estar para mergulhos, mas pode ser que amanhã…
Saio daqui dia 2 de Junho em direcção a Maputo para lá tentar estar por volta das 14h.
Hoje foi dia dos Xutos & Pontapés arrasarem no rock n’ rio. Um abraço daqui de Moçambique
Maxixe – Bilene total 390 kms

30 de Maio

30 de Maio
Umas torradas e um nescafé com leite de pequeno almoço em Inhassoro e “bota pra estrada” com destino Maxixe, mas como a minha prima Elsa me enviou uma mensagem a dizer que os três tugas que vêm de autocaravana estavam em Vilanculos, fiz um desvio de vinte quilómetros para cada lado para ir ter com eles.
Só que não consegui ver nenhuma autocaravana e deduzi que já tinham partido, mas aproveitei para tirar umas fotos da praia.
Passei pelo Trópico de Capricórnio e encontrei um casal de alemães que estão a atravessar África de moto mas já á uns anos, pois fazem uns quilómetros, deixam as motos e vão-se embora de avião, para mais tarde tornar a fazer mais uns quilómetros.
Ficaram maravilhados com a AJP, dizendo que tinha um ar muito leve, mas robusta, o que confirmei claro. Combinamos beber uma Coca Cola (só podia ahah) em Maputo, pois eles iam dormir em Inhambane e eu em Maxixe.
Quando cheguei a Maxixe, montei a tenda e como ainda era cedo, fui reviver o passado, isto é:
atravessar para Inhambane de barco á vela, que por acaso foi um espectáculo, pois a tripulação era muito alegre e simpática com um deles sempre a contar anedotas. Na vinda, resolvi dizer algumas palavras no dialecto de Maputo que ainda me lembrava e foi gargalhada total, pois não estavam nada á espera.


Em Inhambane, tirei uma foto de um edifício antigo, mas um policia começou por me dizer que era proibido e pediu-me dinheiro, mas resolvi dar-lhe tanga e apaguei a foto á vista dele e disse que agora já não lhe dava nada.
Acabou por me ir mostrar a estátua do Vasco da Gama e o primeiro carro que veio para Inhambane, o que aproveitei para tirar uma foto para os meus amigos do “classicosmania”
Também não me esqueci do meu primo Fernando e tirei uma foto ao antigo edifício dos Caminhos de Ferro de Moçambique, que agora é a Escola Secundária dos CFM




Inhassoro – Vilanculos – Maxixe total 341 kms

29 de Maio





29 de Maio
Hoje custou-me a sair da Beira, porque adorei estar com os meus primos e receberam-me tão bem, que realmente não foi fácil vir embora. Mal saí, parei no primeiro semáforo e um rapaz que estava na esquina a vender jornais, apontou para o jornal e disse que me tinha visto na reportagem, levantando o punho em sinal de porreiro. Desejou-me boa viagem e segui a pensar que tinha valido a pena, a entrevista, só pela simpatia daquele rapaz.
Até Inchope, que são 140 kms, o piso está mau, obrigando a cuidados redobrados, mas quando virei para Maputo, a estrada passou a estar perfeita. Quando me apareceu a placa de 864kms para Maputo, até me apeteceu fazer seguido até lá, mas ainda é cedo e tenho tempo para desfrutar de algumas paisagens e praias até lá.
A Ponte do Save tem portagem, mas as motos não pagam, o que vem acontecendo quase desde que sai de Penafiel.
Cheguei a Inhassoro e dei de caras com uma data de Cangas, animal preferido da minha prima Maria e não hesitei em lhes tirar uma foto, assim como da praia.

A AJP já está com mais de 16.000 kms e fora as mudanças de filtro e óleo, só ontem mudei a transmissão, apenas por precaução. Nem uma avaria, nem um furo, nem consumos de óleo. Continua a consumir 3,4 litros de média de gasolina e não noto sequer falta de rendimento, antes pelo contrário, cada vez está mais solta, fazendo a velocidade de cruzeiro por mim estabelecida, com muito poucas rotações.
Sem dúvida uma ajuda extraordinária nesta aventura.
Beira – Inhassoro total 499 kms

sexta-feira, 28 de maio de 2010

28 de Maio



28 de Maio
Mais umas voltas pela cidade da Beira onde fui tirando mais umas fotos. Hoje ao fim do dia, entrevistaram-me para o Diário de Moçambique mas a parte agradável foi mesmo ter feito a entrevista em casa dos meus primos.
Amanha, já com as forças no lugar, lá vou “botar pra estrada” até á praia de Inhassoro, sim que agora estou de férias ahah.

quinta-feira, 27 de maio de 2010



27 de Maio
Aproveitei para usar o dia para passear com a minha prima Maria que gentilmente me mostrou a cidade da Beira. É mesmo uma pena ver casas de estilo colonial inglês em completa degradação, o grande hotel…nem vale a pena falar, as imagens dizem tudo. Só cá estive uma vez na Beira, devia ter uns 13 anos, numa visita de estudo á Gorongosa e pernoitei no colégio dos Maristas da Beira, onde me lembro de ter tirado uma foto de grupo com o colégio de fundo. Pois hoje ao percorrer as ruas da Beira, vi de repente o antigo colégio, que hoje é a Universidade Católica de Moçambique. Como é possível, passados estes anos todos, ter reconhecido um edifício que só tinha visto uma vez…
Passamos também no centro e foi muito emocionante ver como as pessoas que estão a vender fruta e legumes, tratam com tanto carinho a minha prima, chamando-lhe “tia Maria”.

26 de Maio





26 de Maio
Sai de Tete pelas 8h00, e meti-me á estrada a uma velocidade estonteante, 80 kms/hora. Parece pouco, mas para quem quer apreciar a paisagem e não descurar a segurança, é mesmo a velocidade ideal para viajar. Vou observando todos os cantinhos por onde passo e sempre que vejo alguma coisa diferente, click…mais uma foto.
Parei no Chimoio para abastecer e perguntei ao homem da bomba por um restaurante e o que me indicou obrigou-me a dar meia volta e andar cerca de um quilómetro para trás….uiiii que andar para trás não está com nada ahah.
Mas valeu mesmo a pena, chama-se a Palhota e até que é bem conhecido. Comi de aperitivo umas moelas e depois…feijoada. Um gelado de sobremesa, que já não comia á muito, umas fotos e “bota pra estrada”.
Os últimos 120 kms, foram complicados, pois o movimento de camiões é intenso e para complicar, a estrada tem demasiados buracos e nunca sei se o camionista me viu, quando se desvia de um buraco, na minha direcção, até claro, apontar aquela frente enorme para o outro lado. Dá para apanhar uns sustos, pelo caminho…
Agora finalmente cheguei á Beira, cidade que já tinha visitado quando era miúdo, numa visita de estudo que fiz no colégio dos Maristas, á serra da Gorongosa.
É muito bom, ao fim de tantos anos, encontrar-me entre familiares e levando á letra, toca a engordar ahah.
Tete – Beira total 615 kms